
Sem que pensemos nas respostas às questões abordadas por Maura Penna na Revista da ABEM nº 17, em seu texto "Não basta tocar? Discutindo a formação do educador musical", não poderemos ter uma educação musical realmente significativa no ambiente escolar:
"Quem toca – tendo se formado pelo modelo tradicional de ensino – provavelmente vai ensinar como foi ensinado, o que pode funcionar bem em uma escola especializada, mas não em uma sala de aula da educação básica, com seus desafios próprios:
• Como lidar com condições de trabalho tão diversas daquelas da escola de música, com seu piano, quadro pautado e poucos alunos
por turma?
• Como lidar com diferentes vivências musicais e, por conseguinte, com as distintas músicas que os alunos podem levar para a
sala de aula?
• Como lidar com as diferentes expectativas com relação à aula de música?
Esses desafios exigem novas reflexões e uma outra formação, com base em uma concepção de música bastante ampla para ultrapassar a histórica dicotomia entre música popular e música erudita" (p. 51-52)
Penna propõe que um educador musical deve conhecer, além da linguagem musical, os saberes da função educativa. Comenta isto da seguinte forma:
"Se não basta tocar, uma licenciatura deve ser muito mais, formando um profissional capaz de assumir – e responder produtivamente ao:
• Compromisso social, humano e cultural de atuar em diferentes contextos educativos.
• Compromisso de constantemente buscar compreender as necessidades e potenciali-
dades de seu aluno.
• Compromisso de acolher diferentes músicas, distintas culturas e as múltiplas funções que a música pode ter na vida social.
Para tanto, a formação do professor não se esgota apenas no domínio da linguagem musical, sendo indispensável uma perspectiva pedagógica que o prepare para compreender a especificidade de cada contexto educativo e lhe dê recursos para a sua atuação docente e para a construção de alternativas metodológicas." (p.53)
Importantes perguntas que nos levam a uma reflexão para um trabalho com real compromisso social, e não apenas, mero suplemento da grade curricular.
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