quinta-feira, 1 de março de 2012

Mesa educadora para a primeira infância - Cadernos produzidos pela UNESCO

ÓTIMAS NOTÍCIAS!!!
Recebi duas publicações minhas hoje, organizadas pela UNESCO em parceria com a Gerdau e a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho. Ganhei os cadernos impressos, mas os interessados podem acessar na rede:

http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002147/214769por.pdf
Neste volume III, encontra-se meu texto:
"Pedagogias da infância: de Jean Piaget a Heloisa Marinho"

http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002147/214770por.pdf
No volume IV encontra-se meu outro texto intitulado:
"Musicalização na educação infantil: uma aventura pelo mundo dos sons"

Ai, recebi estes cadernos super emocionada, pois acho que os textos ficaram muito didáticos e bonitos! Foi uma honra participar pela segunda vez dos cadernos pedagógicos de Educação Infantil organizados pela UNESCO.

Agora quero ler tudinho para saber o que meus colegas também escreveram por lá!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Oficinas por todo estado!

Na semana passada, realizei formação na área de Educação Musical, em Três Coroas, junto aos professores do município, que ministram Artes. Hoje andei por Parobé, trabalhando também com professores de todas as áreas. Essas formações foram gerenciadas pela FACCAT - Faculdades Integradas de Taquara, local onde trabalho como pesquisadora, professora e coordenadora do Núcleo de Apoio Psicopedagógico.

Na quarta-feira, dia 22, andei pelo município de Paverama, num seminário organizado pela Faculdade La Sale de Estrela, e pela Prefeitura Municipal. Passei os turnos da manhã e da tarde com mais de 50 professores. Nas fotos abaixo, vocês poderão contemplar dinâmicas realizadas com os professores e a realização coletiva de projetos pedagógicos musicais ao final da tarde, como forma de diagnosticar se as reflexões e dinâmicas do dia surtiram efeito!








E pelo jeito, muita coisa ótima será realizada por lá!!!! Parabéns, participantes de todas as Oficinas!!! Todos super criativos e dispostos a refletir e agir musicalmente!!!!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os processos precoces de aprendizagem musical: uma abordagem construtivista


Eu havia me esquecido que Paula Pecker e eu publicamos este texto nos Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — em maio 2008

Resumo: Este artigo tem como objetivo discorrer sobre os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança em relação à música, nos primeiros anos de vida, e propor formas construtivistas de agir pedagogicamente no ambiente de Educação Musical. Será dado destaque à fase que vai desde o nascimento até os quatro anos de idade. Para enfocar as construções cognitivas musicais, utilizaremos como fundamentação teórica a Epistemologia de Jean Piaget e demais autores que concordam com a idéia de que dentro da sala de aula é necessário que o olhar não seja somente sobre os conteúdos a serem desenvolvidos, mas para a interação entre a criança e os objetos propostos.

Palavras-chave: epistemologia genética – processos de ensino-aprendizagem – construção musical

Confiram o texto na íntegra no seguinte endereço:
http://www.fflch.usp.br/dl/simcam4/downloads_anais/SIMCAM4_Paula_Pecker_e_Patricia_Kebach.pdf

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ano começando com Oficinas de Musicalização pelo estado

De acordo com Gadotti (2008), a "formação continuada do professor deve ser concebida como reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação, revisão e construção teórica e não como mera aprendizagem de novas técnicas, atualização em novas receitas pedagógicas ou aprendizagem das últimas inovações tecnológicas". Tomando este pensamento por base, nas oficinas de musicalização que realizamos em todo o estado, e que já começam a ser ministradas agora em fevereiro, realizamos não só práticas musicais para variadas faixas etárias, mas muitas reflexões sobre a nova legislação vigente sobre o ensino obrigatório da música nas escolas, processos de ensino e aprendizagem musical, métodos ativos, etc.
Afinal, muitas coisas devem ser refletidas para que a música seja implantada nas escolas com qualidade. Se os seguidores e visitantes deste blog quiserem compartilhar novas experiências que estão dando certo de musicalização, enviem relatos para o mail: patriciakebach@yahoo.com.br
Novidades serão sempre bem-vindas!!!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Basta tocar para ensinar música?


Sem que pensemos nas respostas às questões abordadas por Maura Penna na Revista da ABEM nº 17, em seu texto "Não basta tocar? Discutindo a formação do educador musical", não poderemos ter uma educação musical realmente significativa no ambiente escolar:
"Quem toca – tendo se formado pelo modelo tradicional de ensino – provavelmente vai ensinar como foi ensinado, o que pode funcionar bem em uma escola especializada, mas não em uma sala de aula da educação básica, com seus desafios próprios:
• Como lidar com condições de trabalho tão diversas daquelas da escola de música, com seu piano, quadro pautado e poucos alunos
por turma?
• Como lidar com diferentes vivências musicais e, por conseguinte, com as distintas músicas que os alunos podem levar para a
sala de aula?
• Como lidar com as diferentes expectativas com relação à aula de música?
Esses desafios exigem novas reflexões e uma outra formação, com base em uma concepção de música bastante ampla para ultrapassar a histórica dicotomia entre música popular e música erudita" (p. 51-52)

Penna propõe que um educador musical deve conhecer, além da linguagem musical, os saberes da função educativa. Comenta isto da seguinte forma:
"Se não basta tocar, uma licenciatura deve ser muito mais, formando um profissional capaz de assumir – e responder produtivamente ao:
• Compromisso social, humano e cultural de atuar em diferentes contextos educativos.
• Compromisso de constantemente buscar compreender as necessidades e potenciali-
dades de seu aluno.
• Compromisso de acolher diferentes músicas, distintas culturas e as múltiplas funções que a música pode ter na vida social.
Para tanto, a formação do professor não se esgota apenas no domínio da linguagem musical, sendo indispensável uma perspectiva pedagógica que o prepare para compreender a especificidade de cada contexto educativo e lhe dê recursos para a sua atuação docente e para a construção de alternativas metodológicas." (p.53)

Multiculturalismo e multiculturalidade, refletindo sobre estes termos


O excerto do dia vem do texto de meu colega Luis Fernando Lazzarin (Revista da ABEM nº19, Artigo: Multiculturalismo e
multiculturalidade: recorrências discursivas na educação musical).
Segundo o autor, de nada adianta falar de multicuralism...o e pluralidade cultural sem realmente compreender estes termos!

"As fronteiras discursivas entre arte da rua, arte de museu, cultura popular, cultura erudita, cultura de massa existem, mas seus limites são, como os de outros territórios pertencentes à cultura, flexíveis e transitórios. Ou seja, o que pertence a um território ou a outro é demarcado pela fluidez da linguagem. Elas estão no jogo permanente de interesses que se estabelece entre os diversos discursos que nos atravessam. Ao insistir em reiterar essa divisão, a educação musical contradiz discursivamente seu compromisso de valorização de todas as manifestações, sejam elas populares ou eruditas. Não estou dizendo que não existam limites entre o popular e o erudito. Eles existem, mas devem ser subsumidos como muito móveis e flexíveis. Por isso, a recorrência discursiva da valorização de todas as práticas musicais converte-se em mais um travestismo lingüístico que precisa ser problematizado. A educação musical deve ficar atenta a esse cenário em que a produção e a recepção da arte contemporânea possuem a fluidez e a transitoriedade da cultura. Nossa experiência com as imagens e com a música desfaz os limites anteriormente definidos dos territórios do erudito e do popular, da produção de massa e da cultura refinada, da arte da rua e da arte de museu, em um constante trânsito negociado, produzido na linguagem, das identidades culturais" (p. 123)Ver mais

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fortalecimento de identidade através da música



A Revista de nº 18 da ABEM - Número especial de outubro de 2007 - está repleta de bons artigos. Alguns excertos, já trouxe para o blog, mas este será mais comprido, pois o artigo de Beatriz Ilari intitulado "Música, identidade e relações humanas em um país mestiço: implicações para a educação musical na América latina" traz excelentes depoimentos e análises sobre as funções psicológicas da música na vida humana.

Para começar, quero expor parte de seus protocolos recolhidos no Maranhão com um grupo de jovens que tocam o tambor de crioula, enquanto moças aprendem a dançar a Umbigada. Vamos ao relato de Ilari (p. 38)



"Enquanto os outros rapazes afinam os tambores, Ari, Paulo e Denis sentam-se em dois engradados de refrigerante vazios e falam sobre suas dificuldades e esperanças. Os três me explicam que é no pequeno quintal da casa de Paulo que eles reúnem os tocadores (rapazes) e as dançarinas (moças), algumas vezes na semana. Lá, os
rapazes aprendem a tocar os ritmos intricados do crivador, do meião e do tambor grande que compõem a música do tambor de crioula, enquanto as meninas dançam e se divertem com a umbigada. É nesse contexto que o grupo todo também discute questões relativas à origem da dança, e à consciência negra. Denis, que até então ouvia calado, entra na conversa e fala da importância que tem um grupo de tambor de crioula, formado só por crianças e jovens no Maranhão:
– Essa é a nossa música. Se os jovens (nós) não aprendermos, daqui a pouco ninguém se lembra mais como é. E essa música é nossa, dos negros maranhenses. Você sabia que o tambor de crioula é uma das danças mais antigas do Brasil?
Denis se anima e prossegue me contando as origens do tambor de crioula e de suas relações com a música da atualidade; ele fala sobre a escravidão no Brasil, sobre a discriminação dos negros e sobre a importância da cultura afro-brasileira para o país e para o mundo. Ele também fala do sonho de tocar com o grupo de tambor de crioula no Rio de Janeiro, na cidade maravilhosa. A seguir, num gesto típico de menino, ele interrompe a conversa e me convida para ver os colegas que estão dançando Zeca Pagodinho na sala da casa de Paulo. Ao entrarmos na sala, ele me diz: – O Zeca Pagodinho é do Rio de Janeiro, mas ele também é nosso, né?"




Ilari comenta esses fatos relacionando a música a uma espécie de instrumento de negociação e fortalecimento de identidades. Vejamos.

"No grupo de tambor de crioula de São Benedito, os jovens apropriam-se da cultura e a partir dela adquirem conhecimentos e desenvolvem diversas competências de ordem musica (Gardner, 1983)como tocar em conjunto, cantar, improvisar e dançar. Através de ensaios, de discussões de questões referentes à consciência negra e do conhecimento
das origens históricas e culturais do tambor de crioula, os jovens reforçam a auto-estima exercitando aquilo que Merriam (1964) denominou “função de representação simbólica da música”. Além disso, as experiências no tambor de crioula dão aos jovens – tocadores e dançarinas – oportunidades para construir (e/ou reconstruir), expressar e negociar suas identidades pessoal, cultural e nacional". (p. 38-39)

A autora aponta para as seguintes funções da música nos diversos espaços pesquisados: regulação do humor e dos afetos; fortalecimento de vínculos interpessoais (algo que já apontei amplamente em minha própria tese); apropriação cultural e empoderamento.

Quanto a esta última função, vale a pena ler o que a autora analisa:
" [...] em todas as narrativas ficou evidente que as crianças e jovens se apropriaram, não apenas do repertório que aprendiam, mas também da cultura da qual esses repertórios fazem parte. Como disse Green (1997),a música não é neutra. A apropriação cultural dota as crianças e jovens de poder; poder este que lhes permite sonhar com possibilidades futuras". (p. 41)

Enfim, mesmo que a música não deva ter apenas um caráter utilitário e, portanto, uma função, mesmo que saibamos que ela deve ser sobretudo expressão artística e cultural, não se deve negar as funções da música nas diversas sociedades. Assim, concordo com a autora quando diz que:
"Enquanto não formos capazes de reconhecer o valor das inúmeras práticas musicais originadas pela mistura cultural de nosso continente, continuaremos a viver em países onde a cultura permanece “um brinquedo dos ricos” (Levi-Strauss, 1955, p. 97); as demais práticas, não-oficiais, permanecerão invisíveis (Dimenstein, 2005).".(p. 42)

Ilari termina seu texto com uma bela citação:
"Nós, latino-americanos, precisamos urgentemente reconhecer que há múltiplas concepções de educação musical na América Latina que são igualmente importantes. Somente através da minimização das hierarquias existentes na área da educação musical e do reconhecimento da música como competência humana que assume inúmeras funções da música na vida dos indivíduos, é que teremos uma educação musical forte e libertária em nosso continente".(p. 43)

Bem, compartilhar com vocês, durante estes últimos dias, os excertos de minhas leituras é uma forma interessante de estudar, e de certa forma, fichar as coisas que leio, pois postando estas passagens por aqui, não me esquecerei daquilo que será mais importante para as análises de minha pesquisa. Está passando por este blog um desfile de respeitados e renomados autores (meus colegas pesquisadores da área de educação musical do Brasil) que poderão servir de referência para aqueles que pretendem refletir, assim como nós, sobre essa área.